Moçambique Regista Mais de 39 Mil Incidentes Cibernéticos e Reforça Combate ao Crime Digital

A criminalidade cibernética continua a representar um dos maiores desafios para a segurança digital em Moçambique, numa altura em que a crescente digitalização dos serviços financeiros, comerciais e governamentais expõe cidadãos, empresas e instituições públicas a novas formas de fraude eletrónica e ataques informáticos. Dados apresentados pelas autoridades indicam que o país registou 39.625 incidentes cibernéticos em 2025, um número que evidencia a rápida evolução das ameaças digitais e a necessidade de reforçar os mecanismos de prevenção, investigação e resposta aos crimes praticados através da internet. Entre os incidentes mais frequentes destacam-se fraudes eletrónicas, burlas informáticas, roubo de dados pessoais, ataques a sistemas informáticos e outras infrações relacionadas com o uso indevido das tecnologias de informação.

Especialistas em cibersegurança defendem que o aumento dos incidentes está associado à expansão do acesso à internet, à utilização crescente de plataformas digitais para pagamentos e serviços financeiros, bem como ao reduzido nível de literacia digital entre parte da população. Os criminosos recorrem cada vez mais a técnicas sofisticadas, como mensagens fraudulentas, páginas falsas, roubo de credenciais de acesso e programas maliciosos, procurando obter informações bancárias ou dados pessoais das vítimas. Este cenário exige uma resposta coordenada entre o Estado, as instituições financeiras, as empresas tecnológicas e os utilizadores, com o objetivo de fortalecer a proteção dos sistemas digitais e reduzir os riscos associados às operações realizadas no ambiente virtual.

A Procuradoria-Geral da República e outras instituições públicas têm vindo a reforçar as estratégias de combate ao cibercrime, apostando na capacitação de investigadores, modernização dos sistemas tecnológicos e intensificação da cooperação internacional. Paralelamente, decorrem iniciativas de sensibilização destinadas a promover boas práticas de segurança digital, incentivando os cidadãos a protegerem as suas contas, utilizarem palavras-passe robustas, ativarem mecanismos de autenticação em dois fatores e evitarem partilhar informações pessoais em plataformas não seguras. Estas medidas são consideradas fundamentais para reduzir a vulnerabilidade dos utilizadores e aumentar a resiliência do país face às ameaças digitais.

Analistas consideram que o fortalecimento da cibersegurança constitui um elemento essencial para o desenvolvimento da economia digital e para a consolidação da confiança dos cidadãos nos serviços eletrónicos. À medida que Moçambique acelera a transformação digital em áreas como banca, comércio eletrónico, administração pública e telecomunicações, torna-se indispensável investir em tecnologias de proteção, formação de recursos humanos especializados e atualização permanente da legislação sobre crimes informáticos. O combate eficaz à criminalidade cibernética dependerá da conjugação de políticas públicas, inovação tecnológica e educação digital, criando um ambiente mais seguro para o crescimento sustentável da economia e para a proteção dos direitos dos utilizadores no espaço digital.

Postagem Anterior Próxima Postagem