O Presidente do Conselho de Administração dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Agostinho Langa, afirmou não compreender as razões que estão na origem da recente escassez de combustíveis registada em diversos postos de abastecimento do país, sublinhando que a empresa continua a assegurar normalmente o transporte ferroviário dos produtos petrolíferos. Segundo o dirigente, os CFM têm cumprido a sua missão logística sem interrupções significativas, pelo que a empresa não pode ser responsabilizada pelas dificuldades verificadas no abastecimento ao consumidor final. As declarações surgem num contexto em que longas filas nos postos de combustível voltaram a preocupar cidadãos e operadores económicos. Agostinho Langa explicou que a função dos CFM consiste em garantir o transporte eficiente de combustíveis entre os portos, terminais e centros logísticos, assegurando que os produtos cheguem aos pontos previamente estabelecidos na cadeia de distribuição. Na sua perspetiva, eventuais constrangimentos registados nos postos de abastecimento poderão estar relacionados com fatores externos ao sistema ferroviário, incluindo questões logísticas, financeiras e operacionais que envolvem distribuidores e comercializadores de combustíveis. O responsável reiterou que, até ao momento, não existem indicações de interrupções relevantes na capacidade dos CFM para movimentar cargas de combustíveis.
Especialistas em logística explicam que o abastecimento de combustíveis depende de uma cadeia integrada que envolve importação, descarga nos terminais portuários, transporte ferroviário e rodoviário, armazenamento, distribuição e comercialização. Qualquer falha numa destas etapas pode provocar atrasos no fornecimento aos postos de abastecimento, mesmo quando existe combustível disponível nos depósitos. O Governo já havia referido anteriormente que parte das dificuldades resultava de problemas de liquidez das distribuidoras e da obtenção de garantias bancárias para levantar o produto nos terminais, afastando a hipótese de uma falta generalizada de combustíveis no país.
Analistas económicos defendem que a estabilidade do abastecimento de combustíveis é essencial para o funcionamento da economia, influenciando diretamente os setores dos transportes, agricultura, indústria e comércio. Por isso, recomendam uma maior coordenação entre as autoridades, operadores logísticos, distribuidoras e instituições financeiras, de forma a prevenir ruturas na cadeia de abastecimento e garantir que os produtos cheguem aos consumidores de forma regular. As declarações de Agostinho Langa reforçam o entendimento de que a solução para os constrangimentos passa por uma atuação conjunta de todos os intervenientes da cadeia logística, e não apenas dos responsáveis pelo transporte ferroviário.
