O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, deu início ao processo de fiscalização do programa de reabilitação e construção de mais de 3.500 quilómetros de estradas nacionais, uma iniciativa considerada estratégica para melhorar a mobilidade, fortalecer a integração territorial e impulsionar o desenvolvimento económico de Moçambique. A fiscalização tem como objectivo acompanhar a preparação técnica das obras, garantir o cumprimento dos padrões de qualidade e assegurar que os projectos sejam executados dentro dos prazos e especificações estabelecidos. As primeiras frentes de trabalho deverão arrancar no início de 2027, privilegiando soluções de engenharia resilientes às alterações climáticas.
O programa integra a iniciativa governamental "Mais Estradas – 2031", que prevê intervenções em todas as províncias do país, abrangendo corredores rodoviários considerados essenciais para o transporte de pessoas, mercadorias e produtos agrícolas. Avaliado em cerca de 2,6 mil milhões de dólares norte-americanos, o projecto pretende aumentar significativamente a percentagem de estradas pavimentadas, reduzir os custos logísticos e melhorar o acesso das comunidades rurais aos mercados, escolas e unidades sanitárias. Segundo o Ministério dos Transportes e Logística, a selecção das vias baseou-se em critérios como impacto social, relevância económica, redução da pobreza, resiliência climática e importância estratégica para o desenvolvimento nacional.
Especialistas em infraestruturas defendem que o investimento na rede rodoviária poderá produzir impactos significativos sobre a economia nacional. Estradas em melhores condições reduzem o tempo de viagem, diminuem os custos de transporte e facilitam o escoamento da produção agrícola e industrial, aumentando a competitividade das empresas e estimulando o comércio interno e regional. A melhoria da conectividade também poderá favorecer o turismo, atrair novos investimentos privados e fortalecer os principais corredores logísticos que ligam Moçambique aos países do interior da África Austral.
Analistas consideram igualmente que a fiscalização permanente será determinante para garantir a qualidade das obras e evitar atrasos na execução dos projectos. O acompanhamento técnico permitirá verificar o cumprimento das normas de engenharia, a correta aplicação dos recursos públicos e a adopção de tecnologias capazes de aumentar a durabilidade das infraestruturas rodoviárias perante fenómenos climáticos extremos, como cheias e ciclones. A aposta em soluções resilientes é considerada fundamental, tendo em conta os elevados prejuízos provocados pelas intempéries nos últimos anos sobre a rede viária nacional.
O início da fiscalização representa mais uma etapa na implementação de um dos maiores programas de infraestrutura rodoviária do país. Caso as metas previstas sejam alcançadas, o projecto poderá reforçar a integração económica entre as províncias, reduzir o isolamento das comunidades, estimular o crescimento da actividade produtiva e consolidar a rede nacional de transportes como um dos principais pilares do desenvolvimento sustentável de Moçambique nas próximas décadas.
